A crise. Ou melhor, a Crise. Nos noticiários, nas conversas de bar, nas discussões entre casais, nas empresas que demitem 60 ou 5000 funcionários, ela está lá. Mesmo sem ser convidada, ela insiste em aparecer, seja naquele almoço de família no domingo ou no intervalo do show daquela banda de rock, que toca todas as sextas perto da sua casa. E pior do que “existir”, é o fato dela não ser explicada. Ninguém sabe dizer sua razão de ser, bem como dizia aquele poeta embriagado que vi em São Thomé das Letras. Agora ela está aqui, neste querido espaço cibernético intitulado Gramofone Digital.
Pois é, talvez alguns de vocês tenham notado que há quase 10 dias que não postamos nada. Tá certo, tivemos o carnaval, o pessoal viaja, dá um tempo pra cabeça já cansada de monitores e coolers que lembram as antigas geladeiras da vovó. A questão é que devemos sim, pedir desculpas ao nosso “fã-clube” (o menor do planeta, composto por meia dúzia de amigos e outros desconhecidos e raros apreciadores de boa música). Começamos este ano com a proposta de publicarmos um post a cada 2, no máximo 3 dias, além de 1 podcast novo toda a segunda-feira. Nada impossível de se concretizar, haja visto que somos três pessoas distintas, cada um com sua função no site. Às vezes temos contratempos, trabalhos indesejados, festas de amigos que não podemos deixar de ir e assim, sem percebermos, nosso precioso tempo livre se vai, como aquela folha que acompanha o Forrest Gump. Pra piorar, nosso amigo Rodrigo foi atingido indiretamente pela Crise. A malvada fez com que a empresa (que é a mesma que trabalho por sinal) demitisse boa parte de seus funcionários. Felizmente, era isso que ele queria – portanto, pra ele a Crise até que foi uma boa coisa. Mas como qualquer saída de emprego, há stress, ansiedade, depressão, síndrome de pânico, dores musculares, pedras nos rins, e mais uma centena de doenças ocasionadas (in)diretamente por este fato. E isso, faz o caboclo ficar cansado, desmotivado e sem saco pra escrever no Gramofone.
Trabalho demais também pode colaborar para esta situação. O cara é praticamente estuprado (metaforicamente falando, é claro), seu chefe arranca seu corpo e só o devolve no final de semana, quando isso de fato acontece. No curtíssimo tempo livre, o rapaz quer ficar deitado numa banheira de água morna, cuidando dos hematomas e pensando em qualquer coisa que não faça muito esforço. Enfim, eu, Rodrigo e Júlio, pedimos desculpas pela ausência momentânea, e prometemos em breve, retornarmos as atividades regulares. A nossa crise, pelo menos a gente explica.
Por Igor Moura










